A Sanfona: Ritmo e Raízes do Brasil

A sanfona, também conhecida como acordeão, é um dos instrumentos mais emblemáticos da música brasileira. Com suas teclas e baixos que se alternam entre o ar e a pressão, ela traduz a alma de diversas regiões do país, do sertão nordestino ao sul do Brasil. Neste artigo, celebramos a história da sanfona e destacamos seis mestres que, com suas mãos e corações, eternizaram melodias que ecoam até hoje.

José Bettio, o Zé Béttio, nasceu em Promissão (SP) em 1926. Começou sua carreira como sanfoneiro nos grupos “Sertanejos Alegres” e “Zé Bettio e seu conjunto”. Sua grande virada aconteceu quando se tornou locutor da Rádio Difusora de Guarulhos, conquistando o público com seu jeito coloquial e bordões como “acorda, joga água nele!”.

Com mais de 20 discos lançados, Zé Béttio foi um dos maiores nomes do rádio brasileiro, especialmente nas décadas de 1970 a 1990. Faleceu em 2018, deixando um legado imortalizado em LPs como O Sanfoneiro Mais Premiado do Brasil.


Mário Giovanni Zandomeneghi, conhecido como Mário Zan, nasceu na Itália em 1920 e imigrou para o Brasil ainda criança. Em Santa Adélia (SP), começou a tocar sanfona aos seis anos e se tornou um dos maiores compositores do Brasil, com mais de mil músicas gravadas.

Suas composições, como “Quadrilha Completa” e “Pula a Fogueira”, são clássicos das festas juninas paulistas. Zan também compôs o hino comemorativo do IV Centenário de São Paulo. Faleceu em 2006, deixando um legado que atravessa gerações.


Carlos Alberto Ribeiro, o Mangabinha, nasceu em Corinto (MG) em 1942. Aprendeu a tocar sanfona aos oito anos e começou sua carreira em festas e bailes. Em 1973, fundou o Trio Parada Dura, grupo que se tornou ícone da música sertaneja.

Com seu estilo único, Mangabinha encantou gerações de fãs. Faleceu em 2015, mas sua música continua viva no coração dos brasileiros.


José Carlos Ferrarezi, conhecido como Robertinho do Acordeon, nasceu em Lucélia (SP) em 1939. Desde jovem, demonstrou talento para a música e se destacou como sanfoneiro e compositor.

Liderou o grupo Robertinho do Acordeon & Seu Regional, que acompanhou o programa Viola, Minha Viola de Inezita Barroso por 25 anos. Com mais de 20 discos lançados, Robertinho é considerado um dos grandes nomes do forró brasileiro. Faleceu em 2006, deixando um legado musical duradouro.


O músico Emerson Schultz, conhecido por milhões de seguidores nas redes sociais como Sanfoneiro Vermelho, é um dos nomes que transformaram a imagem do acordeão no cenário musical digital brasileiro. De origem paranaense e com raízes alemãs, Vermelho se estabeleceu não apenas como um exímio instrumentista, mas também como um respeitado professor e influenciador musical.

Nascido no Sul do Brasil, região onde a sanfona é popularmente chamada de gaita, a paixão de Emerson Schultz pela música começou cedo. Curiosamente, ele se define inicialmente como um tecladista que toca sanfona. Com o tempo, essa identidade se inverteu, consolidando-o como um sanfoneiro de técnica apurada. Além da sanfona, ele demonstra domínio em outros instrumentos, como violão e flauta.

O apelido “Sanfoneiro Vermelho” se popularizou graças à sua presença marcante na internet. Seu sucesso nas redes sociais é impulsionado por uma mistura de carisma e um repertório vasto que ultrapassa os limites do sertanejo e do regional sulista. Em suas interpretações, é possível ouvir desde clássicos da música sertaneja de raiz e hinos religiosos até sucessos internacionais de bandas como ABBA e The Beatles, provando a versatilidade do instrumento.

Além de performance, Sanfoneiro Vermelho também se dedica ao ensino. Ele é professor de sanfona e o criador do curso Aulas de Sanfona Online, compartilhando seu conhecimento com alunos de todo o país.

Sua plataforma digital se tornou um importante canal de contato com o público, recebendo retornos emocionados de fãs que se sentem motivados e inspirados por sua música. Ao dominar a sanfona e utilizar o alcance das redes sociais para levar o som da “gaita” a todos os cantos, Emerson Schultz reforça o papel do instrumento como um veículo para tocar o coração das pessoas e garantir o futuro da sua arte.


Mosquito Sanfoneiro, cujo nome de batismo é Wesley Santos, nasceu em Pedra do Indaiá, Minas Gerais. Sua jornada musical começou cedo, aos 12 anos, quando deu os primeiros passos como tecladista de duplas regionais. No entanto, foi o acordeão (sanfona), instrumento que aprendeu a tocar aos 13 anos, que se tornaria a sua marca registrada.

Ao longo de mais de 20 anos de carreira, Mosquito construiu um currículo respeitável. Ele acompanhou e colaborou com artistas de grande calibre no cenário sertanejo, como Gino e Geno e Paula Fernandes, participando ativamente da cena musical brasileira antes de chegar à televisão.

A grande virada de sua carreira ocorreu com a entrada para a equipe de músicos do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, no SBT. O sanfoneiro está na atração há muitos anos, sendo uma figura constante e carismática na banda do programa.

A entrada de Mosquito no programa se deu de forma curiosa e através de uma conexão pessoal. Ele era aluno e amigo de um músico que o apresentou a Nei Massa, irmão do Ratinho. Após fazer amizade com Nei e se apresentar para o apresentador em sua fazenda, Ratinho, impressionado com seu talento, o convidou para integrar a banda do programa.

Com seu “bailão do Mosquito”, que mistura sertanejo dançante, forró e modão, Wesley Santos, o Mosquito, continua a levar a música e a alegria para o público, tanto na televisão quanto em shows por todo o Brasil.

Mosquito também apresenta um Podcast que pode ser acessado AQUI

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