Nos anos 1990, quando o Brasil ainda assistia televisão em família, as novelas eram mais que entretenimento: eram um espelho do país. Entre as tramas de amor, drama e esperança, havia algo que tocava o coração de maneira diferente — a música. E se há uma novela que simboliza como a música sertaneja se entrelaçou com a cultura popular, essa novela é “Pantanal”, exibida originalmente em 1990, pela TV Manchete.
“Pantanal” surpreendeu o público com suas paisagens reais, longe dos estúdios e das cidades cenográficas. A trama escrita por Benedito Ruy Barbosa trouxe para a televisão um Brasil profundo, onde o campo, o rio e o sertão tinham voz. Essa voz vinha, sobretudo, das canções que embalavam a história — melodias que falavam de amor, natureza e destino com o sotaque e a poesia do homem do interior.
A personagem Juma Marruá, interpretada por Cristiana Oliveira, tornou-se um ícone da mulher forte, instintiva e livre. Seu tema musical, “Amor Selvagem”, de Marcus Viana, não apenas acompanhava suas aparições, mas traduzia em sons a essência de sua alma: selvagem, pura e em harmonia com a natureza. A canção instrumental e mística, com violas e tons que remetem ao som do vento e da mata, tornava-se quase um sussurro do próprio Pantanal.
Abertura da novela 1990
Outro personagem marcante foi Trindade, vivido por Almir Sater, que além de atuar, levou sua arte genuína para a trilha sonora. Sua música “Um Violeiro Toca” ecoava o interior do Brasil. O som da viola caipira, aliado à interpretação serena e misteriosa do próprio Sater, fazia o público sentir que a música não era apenas uma trilha — era parte da alma da história.
Trindade não era só um violeiro — era o próprio elo entre o homem e o misticismo pantaneiro, e sua canção, um retrato da simplicidade e profundidade do sertanejo.
Trilha sonora gravada por Almir Sater
Com “Pantanal”, a televisão brasileira entendeu que a música sertaneja podia ser protagonista. O gênero, antes restrito às rádios do interior, ganhou status nacional. A trilha sonora da novela foi um sucesso absoluto e marcou uma geração.
Muitos telespectadores ainda recordam a emoção de ouvir a viola ecoando no fim da tarde, anunciando o início da novela — e com ela, um mergulho em um Brasil que parecia esquecido, mas vivia no coração de milhões.
Mais de trinta anos depois, a influência de “Pantanal” ainda é sentida. Quando a TV Globo decidiu produzir o remake em 2022, novamente as canções sertanejas tiveram papel central. Almir Sater voltou, agora ao lado do filho Gabriel Sater, reafirmando a herança e a continuidade de uma cultura que resiste e se renova.
“Pantanal” mostrou que a música sertaneja não é apenas uma sonoridade, mas uma identidade coletiva, um sentimento de pertencimento que une o público à sua origem. Cada nota de viola e cada verso simples lembravam o espectador de que o Brasil é feito de terra, gente e emoção.
Amor de Índio – Gabriel Sater e João Carlos Martins – Videoclipe – Tema da Juma e Jove – Pantanal 2022
Sertão 90